outubro 14, 2010

Síndrome Pessoano

Foi com surpresa e agrado, que verifiquei que ao postar alguns destes textos, naquilo que foi a tentativa de um primeiro blog, os Suspeitos do Costume, se "chegaram à frente".

Sim, eu tenho um grupo de Suspeitos do Costume. E o que eu lhes acho graça!

Diz-se que os trânsitos de Plutão nos arrancam a roupa, sem dó nem piedade, e que, depois disso: "O Rei vai Nú". Pois bem. Auto criou-se um pseudónimo neste blog (pouco ou nada alimentado, como se pode verificar.) Mas, Os Suspeitos do Costume não dormem em serviço e logo se mostraram atentos e seguidores.

Já o Tio Jung dizía que todos temos tudo dentro de nós. É tão mais fácil criar alter egos... personagens... pseudónimos com retalhos de vida não assumida. Ou não vivída. Às vezes timidamente pensada, mas nunca ousada...

Contudo, alguém tinha que pôr ordem nesta empresa. Assim, a Susana administra, e a Hedonê, pode continuar a ser hedonista militante sem se preocupar minimamente com o resto.  Pode escrever se lhe apetecer, sobre o que lhe apetecer, sobre quem lhe apetecer. A Susana é a responsável por gerir, administrar, responder (se a Hedonê não lhe apetecer responder no momento).

Não há mais como negar. Diagnostiquei a mim mesma o Síndrome Pessoano. Não há vacinas, nem cura anunciada. Quando se abre o armário, há muito trancado, quem sabe o que de lá sairá?!

Da Hedonê nem a Susana sabe bem o que esperar. Nem quer saber, pois tem de momento outras preocupações na vida e alguém tem que pôr ordem nesta anarquia.

Poderei dizer de Hedonê que é uma mulher magnética. Exerce sobre os homens um estranho fascínio que me ultrapassa. Apaixonam-se por ela com facilidade. Tratam-na como a uma Raínha. Às vezes como a uma Deusa! Fazem-lhe vénias. Cortejam-na. Constroem-lhe altares. Mas depois têm medo dela. E fogem. Menos os gays, que mais do que a tratarem como a uma Raínha, a tratam como uma Diva. Dizem que é PODEROSA. 

Sei que gosta de brilhos. De plumas e lantejolas. É glamorosa. Adora dançar. Não frequentamos os mesmos meios, nem partilhamos os mesmos ideais. Foi difícil negociar com ela a administração deste blog. Expliquei-lhe que havia pessoas que tinham lido os seus textos, que tinham gostado e que provavelmente esperavam conhecê-la melhor. Olhou para mim com o seu olhar desprendido, afastou os cabelos, atirou a cabeça para trás  e deu uma gargalhada afectada. Disse-me: "Darling! És tão aborrecida! Descontrai! Assim cansas a minha beleza!" Acendeu um cigarro de filtro branco, fino e longo, e começou cantarolar  o "Vogue" da Madonna.

Não temos conversado muito. Não sei se lhe apetece escrever. Regra geral acha as pessoas aborrecidas de morte e  diz que os homens ficaram congelados no Período Cretino, como gosta de lhe chamar. "Cretácio", corrijo-lhe eu. Revira os olhos, e, com ar de enfado vira-me as costas dizendo que não tem paciência para freiras intelectuais.

Não temos, portanto, uma relação pacífica.

Mas senti ser da minha responsabilidade, Susana, fazer algum enquadramento sobre... A Diva!

Sei que ela vai achar tudo uma piroseira, mas termino este esclarecimento, com um poema do portador mor do vírus...

Vivem em Nós Inúmeros – Ricardo Reis

Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu ‘screvo.

1 comentário:

Carmen Ferreira disse...

sublime!!
e "Cretácio"??? absolutamente genial!!!

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