Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Sedução. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sedução. Mostrar todas as mensagens

dezembro 01, 2010

COLÍRIO DA SEMANA - Royale Flush


DANIEL CRAIG

A Tia esta semana está com um atraso de quase três dias... Não há-de ser nada! E se for, olhem, que seja um híbrido que sempre é mais ecológico.

A Tia Hedonê escolheu para esta semana um homem controverso. Muita tinta correu nos jornais e nas revistas sobre a escolha do novo Bond. E desculpem-me por, depois de aturada pesquisa fotográfica, não ter resistido ao cliché Bondiano, quando este gentleman, de terras de Sua Majestade, já tinha mostrado ao mundo o seu imenso talento e invejável capacidade de se metamorfosear. Mas a Tia não resiste a um homem de arma em riste...

É verdade inegável, quase uma Palissada, que foi a saga Bond que o lançou para o estrelato absoluto. Para mim, o melhor Bond de sempre (e o que ele trabalhou para o merecer!) - Sean, filho, tu não contas. Depois vamos os dois jogar uma partidinha de golf e falamos sobre o assunto. Sabes perfeitamente que és Intocável!

Finalmente um Bond de carne e osso e não um cartoon. O olhar duro como o aço, a queixada masculina, o sorriso irónico ao canto da boca... e, depois, num passe de magia ao qual se chama talento: ternura, a dor escondida, o coração partido pela sua Vesper... Brilhante, numa só palavra.

Não quero reduzi-lo a James Bond. É muito pouco para tão monstro talento. Ficam alguns nomes para os meus queridos e as minhas queridas pesquisarem: Sylvia, Layer Cake, Munique e Love is the Devil: Study for a portrait of Francis Bacon, com o grande Derek Jacobi e a magnifíca Tilda Swinton. São alguns exemplos de interpretações magistrais de Daniel Craig, servidas shaken, stirred e com tudo o que temos direito.

É um actor de subtilezas como a Tia tanto aprecia. Já sabem, não é? O talento, aqui para a Tia, é o maior dos afrodisíacos, juntamente com a inteligência e o humor.

Mas uma pergunta existêncial ecoa na minha cabeça: qual será o calibre daquela pistola?! Mortinha por saber...

Deixo-vos, do que resta da semana, com a mão mais alta do poker. Royal'e' Flush. Sem cartas na manga. Sem bluff! Quero ver as fichas em cima da mesa.

Chuacs da Tia e... façam as vossas apostas: quantos pontos no suspirómetro?

novembro 20, 2010

Para Homens Emocionalmente Ceguinhos - PERFUME DE MULHER

A Tia Hedonê hoje acordou assim, em modo de Tango. Ai, queridas, são tão poucos os homens que sabem dançar... e muito menos o Tango!

É que eles, nem mesmo vendo bem dos dois olhinhos, quanto mais ceguinhos como a personagem de Al Pacino, Frank, em Perfume de Mulher.

Fica a minha ideia de Príncipe Encantado para este Sábado solarengo, mas frio. Para que nos aqueça as noites da imaginação. Os dias, os momentos de nostalgia dos amores que nunca aconteceram. 

Quem não gostaria de ter um Frank? Esse invisual de mau feitío que vê mais longe que qualquer calhau com quatro olhos? Isto se usarem óculos, é claro! Porque os homens, na sua maioria, são míopes  e hipermetropes dos sentidos. 

Frank conduz Ferraris, dança o Tango com a graciosidade de um bailarino experiente no corpo feminino... adivinha-nos o perfume. O perfume de sermos mulheres. Basta-nos isto para pressentir como seria na cama. Sim, uma mulher sabe estas coisas. A forma como um homem conduz, ou a forma como dança diz-nos quase tudo o que quisermos saber sobre a sua performance no vale dos lençóis.

Meninos, vão aprender a dançar, que a Tia e as suas Sobrinhas ADORAM homens que saibam dançar... e... conduzir. E cuidadinho! Velocidade não é sinónimo de ritmo! ;) Entendidos?

E mais não digo, que hoje é Sábado e devem estar todos de ressaca e muito cansados por terem estado de copo na mão uma noite inteira a mexer os olhinhos nas discotecas da moda, a ver se o que vinha à rede era peixe... ou carne!

Achas que sabes Dançar?

Ora então, observa! E é se não queres passar o resto da vida agarrado à bengala!





A Tia dedica este post a todos os Michaels, que tal como o namorado de Donna, vagueiam por aí. A todos os ceguinhos emocionais, que não têm a mínima pista daquilo pelo qual é composto o Perfume de Mulher...

"Frank - So, Donna,ah... do you tango ?
 
Donna - No. I wanted to learn once, but --
 
Frank -But ?
 
Donna - But Michael didn't want to.
 
Frank - Michael, the one you're waiting for.
 
Donna - Michael thinks the tango's hysterical.
 
Frank - Well, I think Michael's hysterical.
Would you like to learn to tango, Donna ?
 
Donna - Right now ? 
 
Frank - I'm offering you my services... free of charge.
What do you say ?

Donna - I think I'd be a little afraid.
 
Frank -Of what ?
 
Donna -Afraid of making a mistake.
 
Frank- No mistakes in the tango, not like life.
It's simple. That's what makes the tango so great.
If you make a mistake, get all tangled up, just tango on"


Vossa, Hedonê




novembro 11, 2010

BLACK VELVET - PARTE IV E ÚLTIMA (ou talvez não...)

CONTINUAÇÃO DA PARTE III


À nossa frente uma cama redonda. Imaculadamente branca como o meu desejo.












Deitas-me na cama e amarras-me com o teu olhar de veludo, tão vermelho como as cortinas que nos rodeiam. É com esse mesmo olhar que começas a despir-me. Sorris. Não é uma cama é uma teia. Quero sair. “Tarde demais, My Purple Princess!”


 Oiço vozes. Várias. “E se chega alguém?” Mas os teus lábios não me ouvem e percorrem-me os sentidos. O meu corpo está alerta de ti, como numa batalha que se avizinha renhida. As tuas mãos queimam-me a razão. Fecho os olhos. Oiço ao longe uma voz…

“Oito. Dêem-lhe mais oito miligramas de benzodiazepina!”
Oito… É-me familiar o número, mas não distingo de onde.
“Vai ficar bem.”, diz-me este homem de bata branca e sorriso aberto. Antes de adormecer ainda tenho tempo de ouvir pelo canto do olho o tigre branco a rugir.


Acordo com uma luz muito branca que me fere os olhos. Alguém aponta uma lanterna para dentro deles segurando-me as pálpebras. “Está a reagir.”, ouço ainda em tom de névoa. Quero mexer-me, mas não consigo. Tenho os braços amarrados à cama onde estou deitada. E as pernas… Amarraram-me as pernas. Saio da dormência em que me encontro e começo a agitar-me. Dois homens, enormes, de bata branca avançam para mim com uma seringa na mão. “Não é preciso! Não é preciso!”, diz com voz autoritária o homem que está sentado ao meu lado na cama, e que acabou de tirar aquela lanterna fria de dentro dos meus olhos. Olha-me com curiosidade e complacência. Agora presente no meu corpo, sinto um formigueiro que me percorre as veias. Parece que o sangue me ferve e circula a um ritmo alucinante em todas as direcções, sem ordem específica. Tenho fome. Agito-me na cama. Sinto uma força dentro de mim que nunca tinha sentido antes. Como se dentro de mim existisse um outro eu desconhecido e que agora quer acordar.
“Tenho fome…”, digo com voz frágil e sumida. O homem aproxima-se um pouco para me ouvir melhor. Um cheiro invade-me as narinas e entra-me no corpo como uma injecção pura de adrenalina de qualidade. O coração acelera a um ritmo alucinante. Lateja-me a cabeça. O sangue atinge o ponto de ebulição. “Tenho fome…”. Ele aproxima-se um pouco mais. Reviram-se-me os olhos involuntariamente dentro das órbitas. Sinto a respiração ofegante… Num gesto brusco e certeiro abocanho-lhe o nariz e arranco-lho. Quando lhe sinto o sangue quente e doce na língua todo o meu corpo se contorce num prazer até agora desconhecido. A força cresce dentro de mim e num grito animal rebento as correias que me amarram os braços. Instala-se o pânico no quarto. O homem que estava sentado ao meu lado, grita no chão agarrado ao rosto ensanguentado e mutilado. Os outros dois avançam para mim de seringa em punho. Enquanto um me tenta agarrar e estabilizar os braços, o outro tenta encontrar um ponto no corpo para me espetar a agulha. Ouço um rugido no quarto. E com a velocidade de um furacão que não foi anunciado, um vulto negro invade o quarto e o homem que me segura os braços sucumbe à minha frente. O pescoço dele estalou como se fosse um boneco de corda nas mãos de um gigante. O outro é projectado com uma força tão bruta contra a parede que o crâneo se lhe abre como uma fruta demasiadamente madura quando cai da árvore.


És tu. Arrancas-me as correias dos pés e tomas-me nos teus braços. Mas porque não me deixas ver-te o rosto? De que te escondes nesse capuz negro? Eu sei que és tu.



 



Cheira-me a rosas frescas. Estou rodeada delas. Vermelhas. Numa cama de dossel debruada a renda e lençóis de cetim negros. Espreitas-me por detrás da renda com a timidez de uma criança depois de uma travessura. Os meus pulsos não têm marcas. O corpo não me dói. Sorris. “Desculpa… desculpa se te acordei, My Princess”. 








 THE END... OU TALVEZ NÃO. O LEITOR DECIDE SE QUER A CONTINUAÇÃO DESTE CONTO. ENVIEM AS VOSSAS MENSAGENS. DIGAM DE VOSSA JUSTIÇA... QUE A TIA HEDONÊ JOGARÁ O JOGO, DARLINGS! SE A MINHA MONT BLANC ESTIVER PARA AÍ VIRADA... ;)

Hedonê

novembro 10, 2010

BLACK VELVET - PARTE III

CONTINUAÇÃO DA PARTE II


Aproximo-me. Dou mais um trago no vinho tinto que mandei vir e que se dilui no veludo escarlate das cortinas da carruagem bar onde estou sentada. Sozinha. O álcool apazigua-me os sentidos e adormece-me a ansiedade. Não sei há quantas horas estou ali… com  o olhar fixo nas cortinas que parecem falar comigo. Apetece-me a nicotina de mais um cigarro por companhia. Não fumar, são as ordens do letreiro. Retiro-me do bar por breves instantes para me aconchegar num cigarro. Cá fora está frio e o céu cinzento. A lua… cheia de expectativas intermitentes. Olho o mar com alguma relutância. Volto ao bar. Sinto um cansaço na mente. Na mesa ao lado um homem sorri para mim e ergue o copo em tom de brinde. Olho-o com desinteresse. Vou à casa de banho, preciso molhar o rosto para refrescar os taninos.

Olho-me ao espelho uma vez mais. Reflectido, um tigre branco, enorme, acossado. Apetece-me fugir de mim. Será que baralhei os comprimidos? O médico foi muito específico: “Não misture o Azul com o Vermelho, percebeu? No dia em que tomar o Azul, não toma o Vermelho e vice-versa, entendido?”
Terei baralhado tudo? As vozes… voltaram. Os risos… sempre os risos. É de mim que se riem, tenho a certeza que é de mim que se riem. Esfrego os olhos e sinto rímel entrar-me pela retina dentro. “Calem-se! Calem-se!” Mas eles não se calam e riem ainda mais alto. Dou um murro no espelho e sinto um salpico quente no rosto.

Pegas-me na mão, que beijas com descarada sedução. “Onde estamos?”, pergunto meio zonza.
Pões-me um dedo nos lábios: “Shhhhh! É segredo. É um segredo só nosso.”
A tua língua percorre o meu pulso ensanguentado e a tua saliva penetra na minha corrente sanguínea com a força de mil escorpiões. Cerro os lábios e contenho o grito.

“Vem…”

TO BE CONTINUED...

Hedonê

novembro 09, 2010

BLACK VELVET - PARTE II


CONTINUAÇÃO DA PARTE I


Soltas-me o cabelo e inalas o meu perfume enquanto os teus lábios percorrem o meu pescoço com a mestria que só os amantes experientes possuem. Traças com mão sábia, como um escultor, o contorno do meu decote. Os teus dedos inspiram-me o ar. Sinto que vou desfalecer. Preciso respirar pela tua boca. Rodo a cabeça ligeiramente sobre o ombro para te ver. Viras-me lentamente para ti como a uma bailarina numa caixa de música. Os teus olhos procuram a delicadeza dos meus traços. Sinto-me hipnotizada. A tua boca escorrega suavemente pela minha face até encontrar os meus lábios entreabertos. O chão fugiu-me debaixo dos pés. A eternidade suspensa no momento. Acordo para a vida que és tu e saio do transe induzido. Agarro a tua boca como se agarra a vida e sinto a morte presente. Prendes-me nos teus braços para me encaixares no teu peito e o movimento revela um puzzle que se completa sem nunca se ter desmanchado. As minhas mãos percorrem o teu corpo sem terem estudado a lição. As tuas… uma agarra a minha nuca e a outra a cintura. Puxas-me ainda mais para ti. Sinto todo o teu corpo como sendo meu. Sinto as costelas pressionarem-me os pulmões. Solto um som inesperado de dor e digo-te ao ouvido: “Quero-te!” Os teus olhos acendem-se vermelho, incandescentes. 


TO BE CONTINUED...
Hedonê

novembro 08, 2010

BLACK VELVET - Parte I


My sweet Prince of the Darkness...

Decido hoje atravessar o Espelho. Depois de me observar atentamente, o meu rosto máscara mudou. Tenho à minha frente um copo com água e dois comprimidos que não tomo pelo medo da escolha. Errada.
 Do Outro Lado do Espelho há uma voz, vagamente parecida com a tua, que repete o meu nome com o olhar.
A Alice disse-me: "Segue o Coelho Branco..." Respiro fundo. Fecho os olhos e dou um passo. O meu coração bate descompassadamente. Fora de ritmo. Fora de tempo. 
Já não há volta atrás. 
Estou num caleidoscópio onde a única coisa que não está desfragmentada é a música. Uma música doce e melódica que se cola à pele como um perfume de alquimista.
Estarei a sonhar?
Tanta gente! É um baile. Risos cruzados. Tenho a certeza de que estou num baile onde as pessoas se mascaram. Há flutes elegantes com champanhe a condizer. Bebedeiras como asas de borboletas. Aínda não te vi, mas sinto o teu olhar vermelho visão nocturna a perseguir-me pela sala...
Podia jurar que me tocaram nos cabelos.

Acho que estou em Veneza. Ou será Verona?
Sinto um bafo quente no meu pescoço e um arrepio percorre-me a espinha. Olho em volta e todos desapareceram. Nada. Ninguém. Apenas eu reflectida em fragmentos de espelho. Milhares de fragmentos de espelho.

Continuo a ouvir a tua voz, quente...

Estarei a enlouquecer?

“És tu?”, pergunto?

 Nos fragmentos de espelho vejo um vulto distorcido envolto em rendas e cetim. Ri. Estende-me a mão. E embora o ar esteja a ficar gélido, a sua mão é estranha e familiarmente quente. Atravesso o espelho mais uma vez. Do outro lado: o baile, mas as pessoas estão congeladas em posições felizes e rostos azulados. O tempo parou em parte incerta.
O meu peito sobe e desce no decote sensual do vestido vermelho cintado. Sinto medo. O medo de uma corça prestes a ser apanhada. Quero mexer-me mas não consigo. Sinto uma respiração quente no pescoço…

“És tu?”
“És…” E já não consigo acabar a frase. Sou parada por um leve roçar de lábios no pescoço e umas mãos surpreendentemente firmes, mas doces, na cintura. Sei que sim, que és tu. Sinto a sala a rodopiar, ou seremos nós? 

TO BE CONTINUED...
Hedonê

novembro 05, 2010

PALAVRA DE HOMEM - Seduzir uma Mulher por Pedro Chagas Freitas

 A Tia Hedonê hoje, pela primeira vez, deixa penetrar nos seus domínios Lilithianos... um homem. Mas não é um homem qualquer. Nem poderia ser. Se o fosse não estaria a penetrar no espaço da DEUSA.

É um homem que escreve com eles nos sítio. Um homem cujas palavras dão vontade de usar  na pele nua como alta costura. Ele tem erotismos. Ele tem formas sensuais moldadas por frases carnais. Tem uma escrita húmida. Molha a pena com estilo. Penetra no tinteiro da escrita com as ganas de um toureio a pé. Olé! Ele escreve para o feminino e sabe-o muito bem... Desenha palavras sensuais e voluptuosas. Poderia desenhar para a Victoria Secret. Black Velvet.

Assim, hoje rasgo um véu para vos desvendar: 

PALAVRA DE HOMEM

Tudo para as minhas queridas! E queridos com eles no sítio, já se sabe...


 AQUI: SEDUZIR UMA MULHER
por PEDRO CHAGAS FREITAS 
(clique no nome)


 
Seduzir uma mulher está pelas horas da morte. Fica caro para caramba. Se há sector de actividade em que a crise se faz sentir com toda a força, esse sector é o da sedução. E é por isso, sobretudo por isso, que este país não vai a lado nenhum. Um país sem sedução é um país que não seduz. E um país que não seduz é um país que não reluz. E um país que não reluz é uma bosta para todos os tus. E eu já estou farto destas rimas em uz. Bate aí com força na minha cabeça para me tirar desta merda: truz-truz.

Seduzir é uma missão extenuante. Exige tempo, exige método, exige paciência. E exige dinheiro. Pilim. Massa. Money Money. Mais ainda quando se quer seduzir uma mulher que, ao contrário de quase todas as outras, não quer ser seduzida. Uma mulher que, mais do que se fazer de difícil, é mesmo difícil. Uma chata de uma mulher que quando diz “não” quer dizer mesmo “não”. No fundo: uma mulher que é um homem – mas sem pénis. É do pénis, não é?

Uma mulher difícil é um jogo de xadrez contra o Kasparov. Sendo que és tu a máquina. E não há que duvidar: para seduzires uma mulher difícil tens de ser uma máquina: uma infalível, e demoníaca, máquina de conquista. Para seduzir uma mulher difícil, e tu sabes como eu sei que as mulheres que valem a pena são apenas as difíceis, tens de ser o super-homem – mas o super-homem que, para ser ainda mais super, apresenta deficiências, insuficiências. As mulheres difíceis gostam de homens insuficientes – homens imperfeitos. Mas tens de ser perfeito nessas tuas imperfeições: tens de ter as imperfeições certas, as insuficiências certas, na hora certa. Tens de ser perfeito na tua imperfeição: demonstrar fragilidade no que ela quer que tu sejas frágil, demonstrar força no que ela quer que tu sejas forte. Tens de ser um animal sem deixar de ser humano – uma máquina sem deixar de ser gente. O homem perfeito, para a mulher difícil, é o homem que consegue gostar dela o suficiente para não se deixar ser marioneta dela; mas também tem de ser o homem que consegue gostar dela o suficiente para não deixar de ser a marioneta dela. Pode parecer confuso, paradoxal – mas não é. É difícil.

Mas voltemos ao começo: seduzir está pelas horas da morte. E, como está pelas horas da morte, as mulheres difíceis estão em vias de extinção. Porque as mulheres difíceis, apesar de serem mesmo difíceis, são também mulheres inteligentes – e é por isso que são difíceis (o que é, desde logo, inteligente da sua parte). E as mulheres inteligentes percebem que, quando o tempo é de crise, é tempo de tomar medidas de excepção. E as mulheres difíceis, ao perceberem que a sedução está cada vez mais cara (e cada vez mais inacessível), resolveram baixar um patamar – e passaram a ser mulheres relativamente difíceis. Ou relativamente fáceis. O que é, convenhamos, uma tristeza do caraças. Uma tristeza difícil de digerir. Ou nada fácil de digerir. A crise está a matar as mulheres difíceis – porque está a matar a sedução. E seduzir uma mulher difícil oferecendo-lhe um pechisbeque e levando-a a jantar no Macdonald’s é estar a contribuir, por incapacidade económica, para o final de uma das espécies que o ser humano, mais do que os tigres ou os leões ou os mais raros felinos do mundo, deveria fazer por preservar. A mulher difícil é, a par do futebol e dos filmes pornográficos, uma das criações mais inspiradas da natureza. A mulher difícil merece que o governo crie, imediatamente, um subsídio de sedução. Ou, no mínimo, ajudas de custo. Nas floristas de topo, nos restaurantes de elite – até nas peças de lingerie de luxo. Exactamente: um subsídio de sedução e/ou ajudas de custo para a preservação da mulher difícil: da mulher que vale a pena seduzir. É hora de agir, de gastar o dinheiro naquilo que verdadeiramente é importante. Sim, eu sei que é, em tempos de aperto como os que vivemos, difícil. E ainda bem.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...